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Memórias de Mundiais - Argentina 78

Escrevi isto no final de julho e ficou para aqui esquecido. Segue agora. Agora que o Mundial já lá vai, que a superfavorita França não passou do quarto lugar e a Argentina, mesmo levada ao colo e tendo cometido a proeza de fazer um total de zero remates durante o tempo regulamentar e a maior parte do prolongamento, ter tido a derrota que merecia há muito, e que a Espanha mostra que tem o melhor jogo colectivo do planeta, apetece-me despejar aqui as minhas memórias, recorrendo apenas à minha memória, que, como todas as memórias de pessoas que já passaram certa e determinada idade, é mais aguda para o que se passou há várias décadas do que para o que se passou hoje de manhã. Vamos lá: Argentina 78 O primeiro. Coincidência ou não, nunca soube, talvez porque nunca tenha perguntado, dia de TV nova, uma Grundig a preto-e-branco. Não que eu estivesse à espera de ver futebol, devia estar à espera de ver desenhos animados e calhou-me futebol na rifa. Um RFA-Polónia, que acabou zero-a-zero. Na P...

A IA é uma ferramenta e não mais do que uma ferramenta

Hoje dei por mim a rever um texto que me enviaram, feito por IA. Errado não estava, mas o português era pouco menos que pavoroso. Eu sei que (não é o caso de quem mo enviou, atenção) há muitos que defendem que, desde que se perceba, está bom. Sucede que tenho uma aversão voluntariamente não disfarçada a quem não sabe escrever e a adultos de curso superior tirado que não distinguem comes-te de comeste ou aguardasse de aguarda-se. E que dizem póssamos ou fáçamos. E são tantos, demasiados. Mas disperso-me, peço desculpa. O texto feito por IA, pois. Deu-me trabalho a endireitar, porque não podia libertar aquilo assim. Não porque não pudesse de facto, porque de facto podia e, pior, ninguém ia ligar, mas porque tenho vergonha na cara. O que me leva à questão principal: a IA é boa para a fase de tosco, mas é preciso o humano dar o acabamento final. Bem sei que se enfiar a obra do Eça no Claude e lhe pedir, com jeitinho, que faça um texto, a coisa até é capaz de sair bem, digo eu. Mas, pergunt...

O Mundial de Futebol

Passei os últimos meses a dizer, convictamente, que não iria ligar peva a este Mundial, por várias razões, desde a seleção portuguesa ser desde há muito a equipa do Mendes e do Ronaldo, por ser nos EUA, pelos desmandos do ICE e demais organizações policiais daquele país, enfim, por muitas e boas razões. Mas, claro, como adoro futebol, lá acabei por dar 35 paus à SportTV (pelo menos, esperei até faltar menos de um mês para a final) e até agora não me arrependi. Vi Cabo Verde encantar-nos com o seu futebol, defensivo ma non troppo , eficaz qb, roubando pontos à Espanha, ajudando a mandar o Uruguai para casa e impondo respeitinho a uma Argentina que julgava que seria como limpar o cu a meninos. Vi, estou a ver, a Noruega com um dos melhores ponta-de-lança do mundo, uma besta que arrumou com o Brasil, que, mais uma vez, estava convencido, tal a falta de noção, que este era o ano do hexa. Foi, mas da hexaeliminação. Venha agora a Inglaterra, que tem Kane e pouco mais, mas quem tem um Kane t...

O direito à greve e a comichão que provoca

Sempre que há uma greve, logo surgem personagens mais ou menos sinistros perorando contra os incómodos que a greve lhes causa. Como se o objectivo de uma greve não fosse - precisamente - causar perturbação. Eu percebo que, do ponto de vista do utente, uma greve é uma chatice. Uma greve dos controladores aéreos franceses, uma vez, custou-me 500 paus e não achei piada nenhuma. Na altura quis levar aqueles poltrões para o Campo Pequeno e soltar uma manada de toiros de cobrição para lhes fazer companhia.  Mas esses estados de alma são para ter no recato do lar, senão mesmo do pensamento. E, numa pessoa sã, são passageiros. Mesmo que se trate de franceses, para quem ter acordado com os pés de fora é motivo bastante para fazer uma greve, quando não para partir tudo. Já  os ditos personagens mais ou menos sinistros optam por tornar público o seu desagrado perante o atrevimento da maralha. E, como a greve é feita maioritariamente pelo sector público, lá vem a habitual ladainha de que ...

Refugiado do Sapo

O Sapo vai encerrar a chafarica dos blogs. Dei-lhes a oportunidade de contarem com a minha magnífica prosa, não quiseram. Resolvi então vir engrandecer esta ilustre plataforma. E aqui estou, Manuel Acácio.

Gronelândia

Ponto de partida: se os EUA quiserem invadir militarmente a Gronelândia, a Europa não conseguirá impedi-los. Ponto. Para alguns, isto pode querer dizer que nada mais há a discutir, é ceder em toda a linha e deixar que a lei do mais forte se imponha tranquilamente, ao povo gronelandês não restando outra opção senão aceitar o facto consumado. Para quem tenha um pouco mais de coluna vertebral, não é assim. Desde logo porque esta situação traz reminiscências de 1938, quando os checoslovacos não foram tidos nem achados na anexação dos sudetas. Na altura, o pretexto era étnico, agora é de segurança, mas o objectivo real é o mesmo, e chama-se expansão territorial. Depois, porque temos obrigação de ainda não ter esquecido essa época e os resultados que a política de cedência em nome do apaziguamento trouxe. Finalmente, por uma questão de princípio: querem tomar,  que o faça pela força, militar ou outra. O envio de tropas para a Gronelândia é um excelente começo, porque implica que os EUA, s...

Donald Trump e o regresso do Imperialismo Americano

Já passaram uns dias desde que Trump resolveu armar-se em cobói e ir sacar um bad hombre da sua cama, a meio da noite, e num país distante, por isso, se calhar é altura de eu já dizer qualquer coisa sobre isso, ainda que tal interesse a zero pessoas e ninguém mo tenha pedido.   Nicolás Maduro Um misto de ditador e bobo da corte, governa(va) o país com mão de ferro e em fato de treino azul e amarelo. Herdeiro político de Hugo Chávez, mas com 1% do carisma e 0,5% da inteligência, aprofundou o trabalho de afundar a economia do país com as maiores reservas de petróleo à face da terra, porque continuou o que o chavismo fazia de mau e deixou de conseguir fazer o que fazia de bom, por pouco que fosse. Em suma, um traste que não é merecedor de uma lágrima ou lamento que seja. A questão aqui não é Maduro, ponto. (percebo a reacção dos venezuelanos no exílio, faria o mesmo, mas cuidado, não acabem a vender a alma ao Diabo)   A operação Não há nada a dizer, foi uma operação magistral. Bem...