O direito à greve e a comichão que provoca
Sempre que há uma greve, logo surgem personagens mais ou menos sinistros perorando contra os incómodos que a greve lhes causa. Como se o objectivo de uma greve não fosse - precisamente - causar perturbação. Eu percebo que, do ponto de vista do utente, uma greve é uma chatice. Uma greve dos controladores aéreos franceses, uma vez, custou-me 500 paus e não achei piada nenhuma. Na altura quis levar aqueles poltrões para o Campo Pequeno e soltar uma manada de toiros de cobrição para lhes fazer companhia. Mas esses estados de alma são para ter no recato do lar, senão mesmo do pensamento. E, numa pessoa sã, são passageiros. Mesmo que se trate de franceses, para quem ter acordado com os pés de fora é motivo bastante para fazer uma greve, quando não para partir tudo. Já os ditos personagens mais ou menos sinistros optam por tornar público o seu desagrado perante o atrevimento da maralha. E, como a greve é feita maioritariamente pelo sector público, lá vem a habitual ladainha de que ...