Memórias de Mundiais - Argentina 78

Escrevi isto no final de julho e ficou para aqui esquecido. Segue agora.

Agora que o Mundial já lá vai, que a superfavorita França não passou do quarto lugar e a Argentina, mesmo levada ao colo e tendo cometido a proeza de fazer um total de zero remates durante o tempo regulamentar e a maior parte do prolongamento, ter tido a derrota que merecia há muito, e que a Espanha mostra que tem o melhor jogo colectivo do planeta, apetece-me despejar aqui as minhas memórias, recorrendo apenas à minha memória, que, como todas as memórias de pessoas que já passaram certa e determinada idade, é mais aguda para o que se passou há várias décadas do que para o que se passou hoje de manhã. Vamos lá:


Argentina 78

O primeiro. Coincidência ou não, nunca soube, talvez porque nunca tenha perguntado, dia de TV nova, uma Grundig a preto-e-branco. Não que eu estivesse à espera de ver futebol, devia estar à espera de ver desenhos animados e calhou-me futebol na rifa. Um RFA-Polónia, que acabou zero-a-zero. Na Polónia jogava um tipo já meio careca, mas com uns caracóis de lado, chamado Lato, na RFA andavam por lá, creio, o Sepp Maier, o Höness, o Stielike, e já não sei se o Rummennigge. E o Müller? Não sei. Depois havia o Brasil, e eu resolvi estar pelo Brasil, que era treinado por um tal de Cláudio Coutinho e adorava empatar jogos, um dos quais, diga-se em abono da justiça, roubado por um árbitro, contra a Suécia, que resolveu apitar para dar o jogo por terminado quando a bola se encaminhava, tranquilamente e sem obstáculos à vista, para a baliza, numa cena que, seguramente, rivaliza com o porco a andar de bicicleta. O Zico já jogaria?, tenho ideia que sim, idem para o Rivelino, e já não me lembro de mais. Feitas as contas no Mundial, o Brasil foi quem somou mais pontos, mas como essas não eram as regras oficiais, a final foi entre a Holanda, que tinha o Krol, o Rep, o Rensenbrink e mais não sei quantos, o Cruyff já não, de certeza. Já a Argentina jogou com Fillol; Olguin, Galvan, Passarella e Tarantini; Ardiles, que jogava com o número 1, e a confusão que aquilo me fazia, Kempes e outro que tinha obrigação de me lembrar, mas já não me lembro; Bertoni, Luque e Ramon Diaz. Ganhou a Argentina por 3-1 na final dos papelinhos. No dia seguinte, n'A Bola, "Argentina Campeão", ainda hoje acho que está errado, ou então é a minha memória. Meses mais tarde, um tal de Diego Armando Maradona destruiu a Escócia em Hampden Park e a História continuou.

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