A IA é uma ferramenta e não mais do que uma ferramenta

Hoje dei por mim a rever um texto que me enviaram, feito por IA. Errado não estava, mas o português era pouco menos que pavoroso. Eu sei que (não é o caso de quem mo enviou, atenção) há muitos que defendem que, desde que se perceba, está bom. Sucede que tenho uma aversão voluntariamente não disfarçada a quem não sabe escrever e a adultos de curso superior tirado que não distinguem comes-te de comeste ou aguardasse de aguarda-se. E que dizem póssamos ou fáçamos. E são tantos, demasiados. Mas disperso-me, peço desculpa. O texto feito por IA, pois. Deu-me trabalho a endireitar, porque não podia libertar aquilo assim. Não porque não pudesse de facto, porque de facto podia e, pior, ninguém ia ligar, mas porque tenho vergonha na cara. O que me leva à questão principal: a IA é boa para a fase de tosco, mas é preciso o humano dar o acabamento final. Bem sei que se enfiar a obra do Eça no Claude e lhe pedir, com jeitinho, que faça um texto, a coisa até é capaz de sair bem, digo eu. Mas, pergunto, e onde ficamos nós? Vamos desaprender de escrever, para não dizer de pensar? Até pode ser, mas um dia algum Skynet da vida vai perguntar-se para que servem 9 mil milhões de criaturas que nada de útil fazem além de predar recursos. Cenários apocalípticos à parte, e este texto já parece a reunião que podia ter sido um e-mail, se perdermos a capacidade de escrever perderemos, aos poucos, o resultado do que, há 5 mil anos os sumérios criaram e até hoje não parou de evoluir, Idade Média à parte: uma civilização. Chamem-me o que quiserem, mas eu recuso-me.

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